O estranho hotel fantasma da Coreia do Norte, que não tem nenhum hóspede há 30 anos

Written by jpsouza. Posted in Sem categoria

Famoso pela cúpula pontiaguda e forma piramidal, Ryugyong consumiu 2% do PIB do país e nunca foi acabado, entre outras razões, pelo fim da União Soviética.

9 ago 2017
Famoso pela cúpula pontiaguda e forma piramidal, Ryugyong consumiu 2% do PIB do país
Famoso pela cúpula pontiaguda e forma piramidal, Ryugyong consumiu 2% do PIB do país
Foto: BBCBrasil.com

Trata-se do Ryugyong, mais popularmente conhecido como Edifício 105, localizado no centro da capital da Coreia do Norte, Pyongyang.

Sua cúpula pontiaguda e sua forma piramidal o transformaram em um cartão postal, podendo ser visto de qualquer ponto da cidade.

Construído na década de 90 para refletir a pujança da Coreia do Norte, o hotel consumiu US$ 750 milhões (ou 2% do PIB do país) e nunca foi acabado.

Como resultado, o Ryugyong tornou-se símbolo do fracasso da economia norte-coreana e motivo de constrangimento para o regime comunista.

Mas como o local que pretendia ser o hotel mais alto do mundo acabou se tornando o edifício abandonado mais alto do mundo?

Cerca de 2 mil operários instalaram painéis de vidro na fachada do hotel
Cerca de 2 mil operários instalaram painéis de vidro na fachada do hotel
Foto: BBCBrasil.com

Ambições frustradas

A construção do edifício começou em 1987, um ano depois de a companhia sul-coreana SsangYong Group ter terminado o que até então era o hotel mais alto do mundo: o Westin Stamford, em Cingapura.

O governo norte-coreano pensou no Ryugyong como uma forma de atrair investidores ocidentais e anunciou que o local abrigaria cassinos, casas noturnas e salões japoneses.

A expectativa era de que, dois anos mais tarde, o hotel estaria terminado, mas alguns problemas com os métodos de construção e os materiais empregados frearam a construção, que parou por completo em 1992 devido à pior crise econômica do país, impulsionada pelo fim da União Soviética (URSS), de quem recebia ajuda.

Durante mais de uma década, o inacabado e vazio arranha-céu, com um guindaste enferrujado em seu topo, se tornou uma lembrança das ambições frustradas da Coreia do Norte.

Alguns analistas dizem, inclusive, que a presença do edifício se tornou motivo de vergonha para as autoridades do país e vários artigos em jornais o classificaram como uma construção medíocre.

Por causa da baixa qualidade dos materiais empregados e da falta de medidas de segurança, uma delegação da Câmara de Comércio da União Europeia na Coreia do Norte que examinou o hotel chegou a defini-lo como o “pior edifício do mundo”, e disse que não havia o que fazer para consertá-lo.

O local foi descrito como “hotel maldito” ou “hotel fantasma” pela imprensa. A revista americana Esquire o classificou como “o pior edifício da história da humanidade”.

Em 2008, empresa egípcia anunciou recomeço da construção do hotel
Em 2008, empresa egípcia anunciou recomeço da construção do hotel
Foto: BBCBrasil.com

Reforma e falsas esperanças

Mas em 2008, 16 anos depois de ter sido abandonado, Orascom Telecom, um conglomerado de telecomunicações egípcio, começou a reconstruí-lo “em parceria com uma empresa local”, como parte de um plano de larga escala para “embelezar a cidade”, incluindo novas vias, teatros e fachadas de edifícios.

A Orascom Telecom firmou um contrato de US$ 400 milhões com o governo norte-coreano e investiu mais de US$ 180 milhões para consertar o gigantesco hotel.

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