O Reino da Arábia Saudita não aceitou se submeter aos caprichos dos EUA e impõe condições para normalizar relações Israel

Arábia Saudita diz que não terá laços com Israel sem que país reconheça Estado palestino

Comunicado do Ministério das Relações Exteriores acrescentou que a “agressão israelense” contra a Faixa de Gaza deve parar e as forças israelenses devem se retirar do território

  • O secretário de Estado Blinken e o príncipe saudita Mohamed bin Salman O secretário de Estado Blinken e o príncipe saudita Mohamed bin Salman (Foto: POOL/REUTERS )

Reuters – A Arábia Saudita disse aos Estados Unidos que não abrirá relações diplomáticas com Israel, a menos que um Estado palestino independente seja reconhecido nas fronteiras de 1967, com Jerusalém Oriental como sua capital, informou o Ministério das Relações Exteriores saudita nesta quarta-feira.

Riad reiterou seu apelo para que os membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) que não reconheceram um Estado palestino nas fronteiras de 1967, com Jerusalém Oriental como sua capital, o façam, informou um comunicado do ministério.

A declaração se referia a um Estado que os palestinos há muito buscam estabelecer ao lado de Israel em territórios que Israel ocupou na guerra de 1967: a Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, e a Faixa de Gaza.

A declaração acrescentou que a “agressão israelense” contra a Faixa de Gaza também deve parar e as forças israelenses devem se retirar do território.

Os Estados Unidos lideraram meses de diplomacia para fazer com que a Arábia Saudita normalizasse os laços com Israel e reconhecesse o país até o início da guerra de Gaza em outubro, levando Riad a arquivar a questão diante da raiva árabe sobre a ofensiva de Israel.

A Reuters noticiou na semana passada que a Arábia Saudita estaria disposta a aceitar um compromisso político de Israel para criar um Estado palestino, em vez de algo mais vinculante, para tentar aprovar um pacto de defesa com Washington antes da eleição presidencial dos EUA deste ano.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, que está em turnê pela região, disse que o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, “reiterou o forte interesse da Arábia Saudita em buscar” a normalização quando se encontraram nesta semana.

“Mas ele também deixou claro o que já havia me dito antes, ou seja, que para fazer isso são necessárias duas coisas: o fim do conflito em Gaza e um caminho claro, crível e com prazo determinado para o estabelecimento de um Estado palestino”, disse Blinken.

Na terça-feira, o porta-voz de Segurança Nacional da Casa Branca, John Kirby, disse que o governo Biden recebeu um feedback positivo de que a Arábia Saudita e Israel estão dispostos a continuar as discussões de normalização.

DECLARAÇÃO DO MINISTÉRIO – A declaração do Ministério das Relações Exteriores saudita disse que o “Reino comunicou sua posição firme à administração dos EUA de que não haverá relações diplomáticas com Israel a menos que um Estado palestino independente seja reconhecido nas fronteiras de 1967 com Jerusalém Oriental como sua capital”.

Reiterou “seu apelo aos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU que ainda não reconheceram o Estado Palestino, para que acelerem o reconhecimento do Estado Palestino nas fronteiras de 1967, com Jerusalém Oriental como sua capital”.

A guerra de Gaza renovou o foco na ideia da solução de dois Estados para o conflito israelense-palestino, embora as negociações estejam paralisadas há anos.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que não abrirá mão da total segurança israelense a oeste do rio Jordão e que isso é contrário a um Estado palestino.

Países como os Estados Unidos e o Reino Unido reiteraram seu apoio à solução de dois Estados.

O ministro das Relações Exteriores britânico, David Cameron, disse na semana passada que haveria um momento em que o Reino Unido procuraria reconhecer um Estado palestino, inclusive nas Nações Unidas.

Fonte: https://www.brasil247.com/mundo/arabia-saudita-diz-que-nao-tera-lacos-com-israel-sem-que-pais-reconheca-estado-palestino

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