Pesquisador da USP aponta Lula como grande protagonista da Assembleia Geral da ONU

Pedro Costa Júnior diz que política externa do governo brasileiro busca uma nova governança global

  • Luiz Inácio Lula da Silva Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

247 – O discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, realizado em 19 de setembro de 2023, marcou um momento histórico para o Brasil e o mundo. O tom crítico e de cobrança aos países ricos em relação à desigualdade global foi o destaque do discurso do presidente, que também abordou questões fundamentais como a fome e as mudanças climáticas, segundo reportagem da agência Sputnik.

Lula, que discursou por cerca de 20 minutos, recebeu aplausos entusiasmados da plenária da ONU ao afirmar que “o Brasil está de volta para dar sua contribuição ao enfrentamento dos principais problemas globais”. Em seu discurso, ele fez críticas contundentes ao Conselho de Segurança da ONU, chamando a atenção para a urgência de sua reforma. Além disso, cobrou mudanças na atuação do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, criticou as sanções internacionais e alertou para o risco de uma nova Guerra Fria.

O discurso de Lula foi proferido 20 anos após sua primeira assembleia na ONU e 14 anos após seu último discurso como presidente. Esta foi a oitava vez que o ex-presidente brasileiro abriu o evento, tornando-se o presidente da República que mais discursou na abertura da Assembleia Geral.

No entanto, para o professor de relações internacionais e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), Pedro Costa Júnior, o mundo atual é significativamente diferente daquele em que Lula fez seu primeiro discurso na ONU. O pesquisador destacou duas mudanças cruciais.

Primeiro, Costa Júnior ressaltou o “declínio da hegemonia americana” e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), com a ascensão da China como um grande opositor da primazia norte-americana e o ressurgimento da Rússia. O Sul Global também está se reorganizando de maneira mais significativa.

Segundo, o especialista observou que o Brasil não é mais o mesmo. Hoje, a questão ambiental ganha uma importância muito maior do que há duas décadas, especialmente devido às preocupações com a Amazônia.

A política externa do novo governo brasileiro, de acordo com Costa Júnior, se concentra no combate à fome e à desigualdade, na defesa do meio ambiente e na busca por uma nova governança global. Ao mesmo tempo, essa política externa ativa e altiva também se manifesta quando o Brasil se oferece para mediar o conflito na Ucrânia.

É importante destacar que o Brasil tem buscado se posicionar como um mediador neutro em um possível grupo de paz, contrastando com a postura dos Estados Unidos, que têm condenado a Rússia de forma intensa. Essa abordagem é coerente com a tradição histórica do Itamaraty.

Em suma, o discurso de Lula na ONU reflete um Brasil que, em 2023, é protagonista em um mundo em constante transformação. A visão do presidente brasileiro destaca a importância de abordar questões globais prementes, como a desigualdade e as mudanças climáticas, enquanto busca um papel significativo na política internacional como mediador e defensor da paz.

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