‘Queremos não só Angra 3, mas também Angra 4’, diz presidente da ENBPar em visita à Rússia

Panelistas reunidos durante a sessão plenária do Fórum Internacional AtomExpo, Sochi, Rússia, 21 de novembro de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 21.11.2022

© Sputnik / Ekaterina Lyzlova

Presidente da nova estatal da energia nuclear, Ney Zanella dos Santos, diz que Brasil quer mais usinas nucleares e mineração de urânio junto com a iniciativa privada. Fique por dentro da participação da delegação brasileira no Fórum Internacional AtomExpo, na cidade russa de Sochi.

Nesta segunda-feira (21), teve início o Fórum Internacional AtomExpo, que reúne os principais representantes da indústria nuclear mundial no Parque de Ciência e Arte Sirius, na cidade russa de Sochi.

Durante a sessão plenária do evento, o presidente da ENBPar, Ney Zanella dos Santos, disse que a recente revisão no marco regulatório das atividades nucleares brasileiras, que abriu espaço ao setor privado, possibilitará uma expansão mais rápida do setor.

“O foco é expandir as atividades nucleares no Brasil, não só a produção de energia, mas também a mineração [de urânio]”, disse Ney Zanella dos Santos, durante seu discurso. “Queremos não só Angra 3, mas também Angra 4, e estamos com um projeto de mineração em Santa Quitéria para, em parceria com a iniciativa privada, produzir urânio yellow cake no Nordeste brasileiro.”

Santos comanda a nova empresa estatal ENBPar, responsável pela gestão dos setores de energia nuclear e Itaipu, que não puderam ser privatizados com a Eletrobrás. O CEO disse não acreditar que a mudança de governo no Brasil possa ter impacto negativo sobre os projetos de expansão da atividade nuclear.

Presidente da ENBPar, Ney Zanella dos Santos, participa da sessão plenária do Fórum Internacional AtomExpo, Sochi, Rússia, 21 de novembro de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 21.11.2022

Presidente da ENBPar, Ney Zanella dos Santos, participa da sessão plenária do Fórum Internacional AtomExpo, Sochi, Rússia, 21 de novembro de 2022

© Foto / Ekaterian Lyzlova

“A política nuclear brasileira é de Estado. Os governos mudam […], mas o foco da energia nuclear nunca foi alterado, pelo contrário, expandido”, assegurou Santos. “A energia nuclear pode ajudar muito no monitoramento do meio ambiente, afinal temos uma Amazônia inteira para monitorar e cuidar.”

O presidente da Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN), Celso Cunha, concorda, e lembra que investimentos relevantes no setor nuclear foram feitos durante as gestões petistas.

“Foi na gestão de Lula que as obras de Angra 3 foram iniciadas, então retroceder nesse projeto agora seria um enorme equívoco”, disse Cunha à Sputnik Brasil. “O mundo precisa entender que sem energia nuclear não há transição energética.”

O presidente da ABDAN relata estar em contato com membros do núcleo de energia do gabinete de transição para pautar o tema da energia nuclear, mas reconhece que “o novo governo tem uma infinidade de coisas para resolver”.

Bandeira brasileira vista no pavilhão do Fórum Internacional AtomExpo, Sochi, Rússia, 21 de novembro de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 21.11.2022

Bandeira brasileira vista no pavilhão do Fórum Internacional AtomExpo, Sochi, Rússia, 21 de novembro de 2022

© Foto / ABDAN

“Acreditamos que orçamento [para projetos do setor nuclear] tem. Mas o mercado privado também está aí para fazer acontecer”, considerou Cunha. “O Estado deve manter o seu trabalho e avançar nos projetos estratégicos, mas temos também como avançar com o apoio da iniciativa privada.”

Cooperação com a Rosatom

Em outubro de 2022, a ENBPar e a empresa estatal russa do setor nuclear Rosatom assinaram um memorando de entendimento para aprofundar a cooperação em áreas como construção, operação e descomissionamento de novas usinas nucleares de alta capacidade baseadas em tecnologias russas no Brasil.

“A parceria com a Rosatom veio em um momento favorável da expansão da atividade brasileira, até porque nossos projetos preveem uma expansão de entre 8GW e 10GW no setor nuclear nos próximos 30 anos”, revelou Ney Zanella dos Santos durante seu discurso na AtomExpo.

Celso Cunha, por sua vez, notou que a cooperação entre a Rosatom e o Brasil é consistente e teve papel relevante durante a pandemia de COVID-19.

Participantes passam pelo estande da empresa estatal russa Rosatom, no Fórum Internacional AtomExpo, Sochi, Rússia, 21 de novembro de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 21.11.2022

Participantes passam pelo estande da empresa estatal russa Rosatom, no Fórum Internacional AtomExpo, Sochi, Rússia, 21 de novembro de 2022

© Foto / Ekaterian Lyzlova

“Durante a pandemia, a cooperação com a Rosatom garantiu a continuidade do fornecimento de radiofármacos, essenciais para o tratamento e diagnóstico do câncer“, disse Cunha à Sputnik Brasil. “A Rosatom fornece combustível nuclear não só para o Brasil, mas para diversos outros países no mundo.”

O diretor-geral da Rosatom, Aleksei Likhachev, revelou que os projetos de cooperação internacional da Rosatom seguem inalterados, apesar da nova realidade geopolítica.

“Mantivemos praticamente todos os vínculos comerciais e científicos com nossos parceiros, e vemos um desejo muito grande de superar juntos os desafios atuais”, declarou Likhachev. “O setor nuclear está sendo um oásis de cooperação e bom senso, enquanto em outras áreas o mundo parece estar se dividindo.”

A delegação brasileira na AtomExpo 2022 conta também com o presidente da Nuclep, Carlos Henrique Silva Seixas, o vice-presidente da Rosatom América Latina, Ruan Nunes, e com as coordenadoras de Relações Institucionais e Marketing e Comunicação da ABDAN, Thayana Mello e Cristiane Pereira.

Diretor-geral da Rosatom, Aleksei Likhachev, durante a cerimônia de abertura do Fórum Internacional AtomExpo, Sochi, Rússia, 21 de novembro de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 21.11.2022

Diretor-geral da Rosatom, Aleksei Likhachev, durante a cerimônia de abertura do Fórum Internacional AtomExpo, Sochi, Rússia, 21 de novembro de 2022

© Foto / Ekaterian Lyzlova

“A AtomExpo é uma excelente oportunidade de networking, de fazer contatos comerciais e até vislumbrar a assinatura de acordos e contratos de parceria”, declarou a diretora de Marketing e Comunicação da ABDAN no evento, Cristiane Pereira, à Sputnik Brasil. “A nossa expectativa é muito positiva. A Rosatom tem um destaque como grande player da indústria nuclear, que realmente investe em inovação e tecnologia.”

O Fórum AtomExpo 2022 ocorre entre os dias 21 e 22 de novembro em Sochi, na Rússia, e reúne representantes de mais de 50 países, incluindo Belarus, Brasil, China, Egito, Hungria, Índia, África do Sul, Coreia do Sul, Turquia e Vietnã. Realizado anualmente desde 2009, o fórum ocorre pela primeira vez desde 2019, quando foi interrompido por três anos em função da pandemia de COVID-19.

Fonte: https://sputniknewsbrasil.com.br/20221121/queremos-nao-so-angra-3-mas-tambem-angra-4-diz-presidente-da-enbpar-em-visita-a-russia–26039553.html

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